No mês de março, o Brasil registrou déficit de 6,036 bilhões de dólares nas contas externas, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central. Esse valor representa aumento expressivo em relação ao mesmo mês do ano anterior, quando o saldo negativo havia sido de 2,930 bilhões de dólares nas transações correntes.
O conceito de transações correntes abrange operações de compra e venda de mercadorias, prestação de serviços e transferências de renda com outros países. Após três meses de redução consecutiva no déficit, os números voltaram a crescer no mês analisado. Nos doze meses encerrados em março, o saldo negativo acumulou 64,274 bilhões de dólares, equivalente a 2,71% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Em comparação ao período de doze meses finalizado em março do ano anterior, houve recuo, já que naquela ocasião o déficit alcançava 74,383 bilhões de dólares, ou 3,47% do PIB.
O aumento do déficit em março deste ano, na comparação interanual, foi impulsionado principalmente pela diminuição de 1,6 bilhão de dólares no superávit da balança comercial de bens, resultado do crescimento das importações. Além disso, houve elevação de 1,1 bilhão de dólares no déficit referente à renda primária e crescimento de 600 milhões de dólares no saldo negativo em serviços.
Segundo o Banco Central, as transações correntes mantêm quadro considerado robusto, apesar do aumento do déficit em março. O órgão aponta tendência de redução desse saldo negativo no acumulado de doze meses desde setembro do ano anterior. O financiamento desse déficit tem ocorrido por meio da entrada de capitais de longo prazo, com destaque para os investimentos diretos no país, que apresentam fluxo e estoque avaliados como de boa qualidade.
Em março, os investimentos diretos no Brasil somaram 6,037 bilhões de dólares, enquanto no mesmo mês de 2025 esse valor foi de 6,295 bilhões de dólares. Quando há déficit em transações correntes, é necessário compensá-lo por meio de investimentos ou empréstimos externos, e os investimentos diretos são considerados a alternativa mais favorável, pois os recursos são direcionados ao setor produtivo e têm característica de longo prazo.
De abril de 2025 até março de 2026, os investimentos diretos totalizaram 75,660 bilhões de dólares, equivalendo a 3,18% do PIB. Esse montante foi inferior ao registrado no mês anterior, que foi de 75,918 bilhões de dólares (3,24% do PIB), e superior ao observado no período de doze meses encerrado em março de 2025, de 74,078 bilhões de dólares (3,45% do PIB).
No segmento de investimentos em carteira no mercado doméstico, março registrou saída líquida de 2,867 bilhões de dólares, predominantemente de títulos de dívida. No acumulado de doze meses até março, houve ingresso líquido de 28,4 bilhões de dólares, valor inferior aos 29,5 bilhões de dólares registrados até fevereiro de 2026, e superior à saída líquida de 6,8 bilhões de dólares nos doze meses até março de 2025.
As reservas internacionais brasileiras estavam em 362,002 bilhões de dólares ao final de março, uma redução de 9,072 bilhões de dólares em relação ao mês anterior.
Durante março de 2026, as exportações brasileiras de bens totalizaram 31,738 bilhões de dólares, representando um aumento de 9,5% em comparação ao mesmo mês do ano anterior. As importações, por sua vez, alcançaram 26,118 bilhões de dólares, um crescimento de 19,9% frente a março de 2025.
O saldo da balança comercial ficou positivo em 5,620 bilhões de dólares em março, diferentemente do mesmo mês do ano anterior, quando foi registrado saldo negativo de 7,219 bilhões de dólares.
A conta de serviços, que inclui viagens, transporte, aluguel de equipamentos, serviços de telecomunicações e de propriedade intelectual, entre outros, apresentou déficit de 4,785 bilhões de dólares em março, frente ao saldo negativo de 4,216 bilhões de dólares no mesmo período do ano passado.
O déficit da renda primária, composto por pagamentos de lucros e dividendos de empresas, além de juros e salários, foi de 7,384 bilhões de dólares no mês, aumento de 17,8% em relação a março de 2025, quando o déficit foi de 6,267 bilhões de dólares. Tradicionalmente, essa conta é deficitária, devido ao volume maior de investimentos estrangeiros no Brasil, que remetem lucros ao exterior, em relação ao volume de investimentos brasileiros no exterior.
Quanto à conta de renda secundária, que abrange doações, remessas de dólares e outras transferências feitas entre economias diferentes sem troca de bens ou serviços, foi registrado superávit de 512 milhões de dólares, superior ao saldo positivo de 335 milhões de dólares em março do ano anterior.