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Empresa americana adquire mineradora de terras raras por 2,8 bilhões de dólares

Serra Verde foi adquirida pela USA Rare Earth; produção de terras raras pode dobrar até 2030

21/04/2026 às 13:28
Por: Redação

A mineradora brasileira Serra Verde, especializada na extração de terras raras, foi adquirida pela norte-americana USA Rare Earth (USAR) em uma transação anunciada na segunda-feira, 20 de maio. O acordo está avaliado em aproximadamente 2,8 bilhões de dólares.

 

A Serra Verde é responsável pela operação da mina de Pela Ema, localizada em Minaçu, Goiás. Esta unidade é atualmente a única mina ativa de argilas iônicas no Brasil, estando em produção desde o início de 2024. A empresa se destaca por ser a única produtora, fora do continente asiático, das quatro terras raras pesadas consideradas mais críticas e de maior valor estratégico: Disprósio (Dy), Térbio (Tb) e Ítrio (Y). No contexto global, mais de 90% das terras raras são atualmente extraídas em território chinês.

 

Esses materiais são fundamentais para a fabricação de ímãs permanentes aplicados em uma série de tecnologias, incluindo veículos elétricos, turbinas eólicas, robôs, drones e aparelhos de ar-condicionado de alta eficiência. Além disso, têm papel importante em setores como semicondutores, defesa, energia nuclear e aeroespacial.

 

Segundo informações divulgadas pela mineradora brasileira, a aquisição proporcionará a formação da maior empresa global do segmento. A produção atual da mina em Goiás encontra-se na primeira fase e ainda é considerada modesta, porém a expectativa apresentada é de que esse volume seja duplicado até o ano de 2030.

 

“As operações de mineração e processamento da Serra Verde terão um papel central no estabelecimento da primeira cadeia de suprimentos de terras raras da mina ao ímã fora da Ásia, quando combinadas com as capacidades de mineração e ‘downstream’ da USAR”, informou o grupo Serra Verde em comunicado ao mercado.


 

Contrato firmado para fornecimento de longo prazo

 

O contrato firmado entre as empresas prevê um período de fornecimento de 15 anos, destinado a abastecer uma Empresa de Propósito Específico (SPV). Esta empresa será capitalizada por diversas agências do governo dos Estados Unidos, além de investidores do setor privado, com garantia de compra de 100% da produção da Fase I a preços mínimos previamente definidos para as terras raras magnéticas.

 

De acordo com nota da USAR, o acordo de fornecimento confere previsibilidade e segurança aos fluxos de caixa da Serra Verde, reduzindo os riscos e incentivando a realização de investimentos, além de sustentar o desenvolvimento bem-sucedido da companhia.

 

O comunicado das empresas destaca que a união possibilitará a criação de uma multinacional líder no setor de terras raras, cobrindo toda a cadeia de produção — desde a mineração até a fabricação de ímãs — com oito operações ativas distribuídas no Brasil, Estados Unidos, França e Reino Unido. Essas operações abrangerão todas as etapas: mineração, processamento, separação, metalização e fabricação de ímãs, tanto para terras raras leves quanto pesadas.

 

“Esses marcos são um ponto positivo significativo para o Brasil e demonstram a capacidade do país de desempenhar um papel de liderança no desenvolvimento das cadeias globais de suprimentos de terras raras. As garantias de fornecimento, assim como a combinação com a USAR, validam a qualidade da Serra Verde: nossa operação única, nossos colaboradores e seu compromisso com práticas responsáveis”, afirmou Ricardo Grossi, presidente da Serra Verde Pesquisa e Mineração e diretor de operações do Grupo Serra Verde.


 

A reação do mercado ao anúncio foi positiva. Por volta das 15h30 do dia do anúncio, as ações da empresa americana USAR apresentavam alta superior a 8% na bolsa Nasdaq. A transação prevê a manutenção da equipe atual da Serra Verde, com a incorporação de dois dos executivos brasileiros à diretoria da USAR: Sir Mick Davis, presidente do conselho, e Thras Moraitis, diretor executivo do Grupo Serra Verde.

 

A questão das terras raras tem sido tema frequente em discursos do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, especialmente no que diz respeito à dependência global da produção chinesa do setor, gerando divergências com o governo de Pequim.

 

Título atualizado às 18h21

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