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Taxa sobre compras internacionais evita 135 mil demissões, aponta CNI

Imposto sobre compras internacionais de até 50 dólares evitou demissões e aumentou arrecadação, segundo a indústria

22/04/2026 às 20:39
Por: Redação

O levantamento mais recente divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelou que a aplicação do imposto sobre compras internacionais de pequeno valor, conhecida popularmente como "taxa das blusinhas", trouxe impactos positivos para o mercado de trabalho e a economia nacional, mesmo sendo uma medida considerada impopular.

 

A entidade informou que a cobrança do tributo teve papel decisivo na contenção das importações, o que resultou na preservação de mais de 100 mil vagas de emprego no Brasil. Segundo a CNI, a diminuição do consumo de produtos estrangeiros movimentou a economia interna e reforçou a arrecadação do governo federal.

 

Os cálculos realizados pela Confederação Nacional da Indústria consideraram o efeito do Imposto de Importação sobre o valor médio das remessas previsto para 2025, comparando a estimativa inicial de importações para o ano anterior e o volume efetivamente registrado após a entrada em vigor da medida.

 

Dados detalhados do impacto econômico

Os principais indicadores destacados pela CNI mostram que:

  • as importações evitadas totalizaram 4,5 bilhões de reais;
  • foram resguardados 135,8 mil empregos no território nacional;
  • houve movimentação de 19,7 bilhões de reais na economia brasileira;
  • registrou-se uma diminuição de 10,9% no volume de encomendas internacionais entre 2024 e 2025;
  • o número de remessas sofreu retração de 23,4% no primeiro semestre de 2025 em comparação ao mesmo período do ano anterior, antes da adoção do imposto;
  • a arrecadação obtida com o tributo foi de 1,4 bilhão de reais em 2024 e alcançou 3,5 bilhões de reais em 2025.

 

A Confederação Nacional da Indústria afirmou que a cobrança do imposto contribuiu para reduzir práticas consideradas concorrência desleal, especialmente relacionadas a mercadorias oriundas da China, beneficiando o setor industrial brasileiro.

 

“O objetivo principal da ‘taxa das blusinhas’ não é tributar o consumidor, mas proteger a economia. Tornar a indústria brasileira competitiva é primordial para que nós possamos manter empregos e gerar renda", afirmou em nota Marcio Guerra, superintendente de Economia da CNI.


 

Ele também destacou que não há oposição à entrada de produtos importados, desde que haja condições de igualdade para a indústria nacional competir: "Ninguém aqui é contra as importações. Elas são bem-vindas, aumentam a competitividade, mas é preciso que entrem no Brasil em condições de igualdade”.

 

Regras de cobrança e fiscalização

Segundo as informações da CNI, a regra determina a incidência de 20% de Imposto de Importação sobre compras feitas em sites internacionais cujo valor não ultrapasse 50 dólares. A norma entrou em vigor em agosto de 2024, dentro do programa Remessa Conforme, que foi criado para regular as operações de comércio eletrônico internacional.

 

De acordo com a CNI, a cobrança é realizada no momento da compra, permitindo maior controle fiscal e tornando mais difícil a ocorrência de fraudes.

 

Queda nas compras do exterior

Dados do levantamento mostram que o volume de encomendas internacionais com destino ao Brasil apresentou diminuição após a implementação da taxa. Em 2024, foram registradas 179,1 milhões de remessas, enquanto em 2025 o número caiu para 159,6 milhões.

 

Conforme a Confederação Nacional da Indústria, a projeção para o período sem a cobrança do imposto indicava que mais de 205 milhões de pacotes chegariam ao país, demonstrando que a medida influenciou diretamente na redução das compras internacionais.

 

Antes da vigência da nova regra, a CNI destacou que produtos importados de baixo valor frequentemente ingressavam no Brasil sem o pagamento integral de tributos, enquanto mercadorias nacionais eram normalmente tributadas. Essa situação gerava desequilíbrio concorrencial, que, segundo a entidade, foi atenuado após a implantação da taxa, promovendo maior equidade entre itens brasileiros e estrangeiros.

 

Fraudes e mudanças nas plataformas

Outro ponto destacado pela CNI foi o combate a práticas irregulares, como subfaturamento, divisão de compras e mau uso de isenções fiscais, comuns antes da exigência do imposto. Com o novo sistema, as plataformas de comércio internacionais passaram a ser responsáveis por informar e recolher o tributo no ato da venda, o que permitiu aumento do controle e diminuição das irregularidades.

 

Reflexos na arrecadação federal

Além da queda nas importações, a CNI observou que a arrecadação federal gerada pelas compras de pequeno valor aumentou de 1,4 bilhão de reais em 2024 para 3,5 bilhões de reais em 2025. A entidade concluiu que, para a indústria, o benefício principal da medida está na preservação da produção nacional, na manutenção dos postos de trabalho e na geração de renda dentro do Brasil.

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