O levantamento mais recente divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelou que a aplicação do imposto sobre compras internacionais de pequeno valor, conhecida popularmente como "taxa das blusinhas", trouxe impactos positivos para o mercado de trabalho e a economia nacional, mesmo sendo uma medida considerada impopular.
A entidade informou que a cobrança do tributo teve papel decisivo na contenção das importações, o que resultou na preservação de mais de 100 mil vagas de emprego no Brasil. Segundo a CNI, a diminuição do consumo de produtos estrangeiros movimentou a economia interna e reforçou a arrecadação do governo federal.
Os cálculos realizados pela Confederação Nacional da Indústria consideraram o efeito do Imposto de Importação sobre o valor médio das remessas previsto para 2025, comparando a estimativa inicial de importações para o ano anterior e o volume efetivamente registrado após a entrada em vigor da medida.
Os principais indicadores destacados pela CNI mostram que:
A Confederação Nacional da Indústria afirmou que a cobrança do imposto contribuiu para reduzir práticas consideradas concorrência desleal, especialmente relacionadas a mercadorias oriundas da China, beneficiando o setor industrial brasileiro.
“O objetivo principal da ‘taxa das blusinhas’ não é tributar o consumidor, mas proteger a economia. Tornar a indústria brasileira competitiva é primordial para que nós possamos manter empregos e gerar renda", afirmou em nota Marcio Guerra, superintendente de Economia da CNI.
Ele também destacou que não há oposição à entrada de produtos importados, desde que haja condições de igualdade para a indústria nacional competir: "Ninguém aqui é contra as importações. Elas são bem-vindas, aumentam a competitividade, mas é preciso que entrem no Brasil em condições de igualdade”.
Segundo as informações da CNI, a regra determina a incidência de 20% de Imposto de Importação sobre compras feitas em sites internacionais cujo valor não ultrapasse 50 dólares. A norma entrou em vigor em agosto de 2024, dentro do programa Remessa Conforme, que foi criado para regular as operações de comércio eletrônico internacional.
De acordo com a CNI, a cobrança é realizada no momento da compra, permitindo maior controle fiscal e tornando mais difícil a ocorrência de fraudes.
Dados do levantamento mostram que o volume de encomendas internacionais com destino ao Brasil apresentou diminuição após a implementação da taxa. Em 2024, foram registradas 179,1 milhões de remessas, enquanto em 2025 o número caiu para 159,6 milhões.
Conforme a Confederação Nacional da Indústria, a projeção para o período sem a cobrança do imposto indicava que mais de 205 milhões de pacotes chegariam ao país, demonstrando que a medida influenciou diretamente na redução das compras internacionais.
Antes da vigência da nova regra, a CNI destacou que produtos importados de baixo valor frequentemente ingressavam no Brasil sem o pagamento integral de tributos, enquanto mercadorias nacionais eram normalmente tributadas. Essa situação gerava desequilíbrio concorrencial, que, segundo a entidade, foi atenuado após a implantação da taxa, promovendo maior equidade entre itens brasileiros e estrangeiros.
Outro ponto destacado pela CNI foi o combate a práticas irregulares, como subfaturamento, divisão de compras e mau uso de isenções fiscais, comuns antes da exigência do imposto. Com o novo sistema, as plataformas de comércio internacionais passaram a ser responsáveis por informar e recolher o tributo no ato da venda, o que permitiu aumento do controle e diminuição das irregularidades.
Além da queda nas importações, a CNI observou que a arrecadação federal gerada pelas compras de pequeno valor aumentou de 1,4 bilhão de reais em 2024 para 3,5 bilhões de reais em 2025. A entidade concluiu que, para a indústria, o benefício principal da medida está na preservação da produção nacional, na manutenção dos postos de trabalho e na geração de renda dentro do Brasil.