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Lula defende África do Sul e condena veto dos EUA no G20

Presidente brasileiro afirma que decisão americana de excluir o país africano fragilizaria o fórum multilateral e contraria seu propósito.

20/04/2026 às 18:38
Por: Redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou nesta segunda-feira (20) sua desaprovação à intenção do governo dos Estados Unidos de impedir a presença da África do Sul no G20, o bloco que reúne as maiores economias mundiais e a União Europeia.

 

A controvérsia surgiu após o presidente norte-americano, Donald Trump, declarar que não convidaria o líder sul-africano, Cyril Ramaphosa, para o próximo encontro do G20, previsto para novembro, nos Estados Unidos, país que preside o fórum neste ano. Desde o ano passado, Trump tem promovido alegações infundadas contra o governo da África do Sul, relacionadas a uma lei de reforma agrária aprovada no país, e chegou a suspender recentemente a assistência financeira à nação africana.

 

Eu disse ao Ramaphosa [presidente da África do Sul], esta semana, que os Estados Unidos não têm o direito de proibir um membro fundador do G20 de participar do bloco. Eu disse ao Ramaphosa que ele deve comparecer ao G20. Ele não pode deixar de ir porque o Trump disse para ele não ir. Vamos lá ver o que vai acontecer, se vão deixar ele entrar ou não.

 

Durante uma entrevista concedida em Hanôver, na Alemanha, após um encontro com o chanceler Friedrich Merz, o presidente Lula afirmou que, se estivesse na posição de Ramaphosa, compareceria ao G20 não como um convidado, mas sim como um membro fundador. Lula está realizando uma viagem oficial pela Europa, que já incluiu a Espanha e, após a Alemanha, o levará a Portugal antes de seu retorno a Brasília.

 

Ao ser interpelado por repórteres, o presidente brasileiro reiterou que as acusações de Trump sobre um "genocídio branco" na África do Sul são desprovidas de veracidade. Ele enfatizou que o presidente norte-americano não possui o direito ou a autoridade para vetar a participação de qualquer país no G20, alertando que tal ação comprometeria a integridade e a força do grupo.

 

Se vai tirar a África do Sul hoje, daqui a pouco vão tirar a Alemanha, depois vão tirar o Brasil. Se a gente não se juntar, dar as mãos, eles vão tirando um por um. Aqui não é o Conselho da Paz [criado e controlado por Donald Trump, presidente dos EUA].

 

Lula fez questão de recordar que o G20 constitui um fórum multilateral, do qual ele próprio participou ativamente da criação, durante a crise econômica de 2008. O presidente brasileiro destacou que essa crise teve seu epicentro nos Estados Unidos e que o grupo foi estabelecido com o propósito de solucionar questões econômicas. Segundo ele, os vinte membros fundadores possuem o direito inalienável de participar.

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