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Lula critica ameaças de Trump a outros países e cobra respeito internacional

Presidente do Brasil defende soberania de países, questiona bloqueio a Cuba e pede compromisso das grandes potências com a paz mundial

17/04/2026 às 00:19
Por: Redação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou novas críticas à política externa conduzida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, destacando episódios recentes relacionados ao Irã, Cuba e Venezuela. Segundo Lula, não cabe à Casa Branca adotar medidas de ameaça contra outras nações por discordâncias, defendendo que tal postura não é respaldada pelo cenário internacional.

 

Lula declarou em entrevista exclusiva ao jornal espanhol El País, publicada nesta quinta-feira, que a Constituição dos Estados Unidos e a Carta das Nações Unidas não conferem a Trump o direito de ameaçar países de sua escolha.

 

“O Trump não tem o direito de acordar de manhã e achar que pode ameaçar um país. Não tem direito. Ele não foi eleito para isso. O mundo não lhe dá direito disso. A Constituição americana não garante isso. E muito menos a carta da ONU [Nações Unidas]”, afirmou Lula.


 

O presidente brasileiro mencionou, ainda, a ausência de lideranças globais que assumam a responsabilidade de reconhecer que o planeta não pertence a uma nação específica. Ele defendeu que países de maior influência assumam o compromisso de zelar pela paz internacional e apontou que, independentemente da importância de uma determinada nação, é fundamental que os mais poderosos ajam com responsabilidade em relação à manutenção da paz mundial.

 

Repercussões de ameaças internacionais

 

Na semana anterior, Trump chegou a ameaçar o Irã com a possibilidade de um crime de genocídio, caso o país não aceitasse as condições impostas pelos Estados Unidos para encerrar a guerra no Oriente Médio. Lula comentou sobre as ameaças e intervenções feitas pelo governo norte-americano não apenas ao Irã, mas também a Cuba e à Venezuela.

 

“Nenhum país tem direito de ferir a integridade territorial de outro país. Nenhum país tem o direito de não respeitar a soberania dos outros países”, completou Lula.


 

Possibilidade de escalada de conflitos globais

 

Durante a entrevista, Lula mencionou a preocupação com a possibilidade de um novo grande conflito mundial, motivado por políticas intervencionistas e ameaças. Para ele, uma eventual terceira guerra mundial teria consequências ainda mais devastadoras do que as vividas durante a Segunda Guerra Mundial.

 

“Uma terceira guerra mundial será uma tragédia dez vezes mais potente do que foi a tragédia da Segunda Guerra Mundial”, disse.


 

Ao ser questionado pelo veículo espanhol sobre a viabilidade real desse cenário, Lula ponderou que, se a visão de que é possível agir militarmente de forma unilateral persistir entre chefes de Estado, existe sim o risco de uma escalada global.

 

“Se continuarem achando que podem levantar de manhã e atirar contra qualquer um, ela pode acontecer”.


 

Impasses com Cuba e bloqueio econômico

 

Sobre Cuba, Lula condenou o agravamento do bloqueio energético, afirmando que o embargo econômico imposto pelos Estados Unidos há quase 70 anos não encontra justificativa plausível. O presidente brasileiro destacou a importância de Cuba para o Brasil e questionou por que países com críticas ao regime cubano não demonstram a mesma preocupação com o Haiti, que enfrenta grave crise econômica e social, mas não adota um regime comunista.

 

No Haiti, gangues armadas dominam extensas áreas da capital Porto Príncipe há décadas, impondo um cenário de instabilidade e insegurança à população local.

 

Lula acrescentou que Cuba necessita de oportunidades para superar as dificuldades internas, questionando como é possível que um país consiga sobreviver diante da impossibilidade de receber alimentos, combustíveis e energia devido ao bloqueio.

 

Expectativas para a Venezuela e relações com os EUA

 

Ao abordar a situação venezuelana, o presidente do Brasil reforçou que o governo brasileiro defende a realização das eleições previstas para julho de 2024, com reconhecimento do resultado das urnas, permitindo que o país vizinho retome o caminho da paz. Lula enfatizou que a administração norte-americana não deve assumir para si a administração da Venezuela.

 

Quando questionado sobre a política de tarifas dos Estados Unidos em relação ao Brasil, que incluiu taxação sobre uma parte das exportações brasileiras entre abril e agosto de 2025, Lula recordou sua posição durante encontro com Trump. O presidente brasileiro afirmou que não espera concordância ideológica do colega norte-americano, assim como não compartilha da mesma linha de pensamento. Para Lula, o papel dos chefes de Estado é analisar os interesses nacionais de cada país e atuar a partir desse entendimento.

 

Após negociações realizadas entre os governos de Brasília e Washington em novembro de 2025, os Estados Unidos revogaram uma tarifa de 40% que incidia sobre diversos produtos brasileiros, entre eles café e carne. Em fevereiro, a Suprema Corte dos Estados Unidos anulou a sobretaxa imposta pelo governo Trump a dezenas de países, atendendo à solicitação de empresas americanas impactadas pelas medidas.

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