O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou apoio à decisão tomada pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que cassou as credenciais diplomáticas de um agente de imigração dos Estados Unidos que atuava na sede da Polícia Federal em Brasília.
Lula afirmou que a decisão foi fundamentada no princípio da reciprocidade entre os dois países.
"Eles fizeram conosco, a gente vai fazer com eles. Esperando que eles estejam dispostos a voltar a conversar e as coisas voltarem à normalidade", declarou Lula em vídeo publicado nas redes sociais, acompanhado de Andrei Rodrigues e do ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva.
O episódio ocorreu depois que o governo dos Estados Unidos determinou a saída do delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho, integrante da Polícia Federal, do território norte-americano. Carvalho também havia participado da prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.
O Ministério das Relações Exteriores (MRE) informou, em nota divulgada na rede X, que a representante da embaixada dos Estados Unidos foi comunicada na terça-feira (21) que o Brasil aplicaria o princípio da reciprocidade diante do que classificou como decisão sumária contra o agente da Polícia Federal, tomada sem qualquer solicitação prévia de esclarecimento ou tentativa de diálogo, em desrespeito ao acordo de cooperação bilateral na área policial.
O comunicado do MRE ressaltou ainda que a medida adotada pelos Estados Unidos não seguiu a prática diplomática de diálogo entre nações amigas, como ocorre entre o Brasil e os Estados Unidos há mais de dois séculos de relação.
Segundo a nota, o agente brasileiro atuava sob um memorando de entendimento firmado entre os governos brasileiro e norte-americano, que tratava da facilitação do intercâmbio de oficiais de ligação na área de segurança, e destacou que o mesmo tratamento seria dado ao agente dos Estados Unidos.
O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos anunciou, na segunda-feira (20), que solicitou a saída de um funcionário brasileiro do território norte-americano. Apesar de não mencionar nomes, a publicação se refere ao delegado Marcelo de Carvalho, da Polícia Federal, que esteve envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem.
Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), foi preso na Flórida e permaneceu detido por dois dias, sendo liberado em 15 de maio. No ano anterior, o Supremo Tribunal Federal (STF) o condenou a 16 anos de prisão por participação em trama golpista. Após a sentença, Ramagem perdeu o mandato parlamentar e fugiu para os Estados Unidos para não cumprir a pena, estabelecendo residência no país norte-americano.
Em dezembro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes determinou que o Ministério da Justiça e Segurança Pública encaminhasse formalmente o pedido de extradição de Ramagem aos Estados Unidos.
De acordo com a Polícia Federal, a prisão de Ramagem pelo serviço de imigração norte-americano foi resultado da cooperação policial internacional entre Brasil e Estados Unidos. O ex-deputado foi capturado na cidade de Orlando, sendo considerado foragido da Justiça brasileira em razão da condenação pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado democrático de direito.
No mesmo vídeo divulgado nas redes sociais, Lula anunciou a contratação de mil novos agentes para integrar os quadros da Polícia Federal. De acordo com o presidente, a medida visa fortalecer as ações da corporação em portos, aeroportos e regiões de fronteira, como parte dos compromissos do governo no enfrentamento ao crime organizado.